Bolinha era como quase todos conheciam e chamavam João dos Santos. Ele ganhou esse apelido dos amigos do seu pai que diziam que ele parecia com um apresentador de um programa televisivo que ele nunca nem tinha visto. O fato de chamarem seu pai de “Bola Sete” só contribuía para que o apelido pegasse mais facilmente. Mas digam o que for, Bolinha era um sobrevivente. Acordava cedinho pegava ônibus, trem, metro, tudo para começar sua jornada de trabalho que era dividida entre a correria para ajudar no balcão da lanchonete que ele trabalhava de manhã, a entrega dos marmitex encomendados na hora do almoço, a volta para casa onde aproveitava para fazer um bico vendendo DVDs piratas e o fim da noite no bar do seu Mané Portuga onde ajudava no balcão a servir a cervejinha, os torresminhos e os ovinhos coloridos para os antigos companheiros de copo do seu pai. O “seu Bola Sete” havia falecido há alguns anos, devido a bebedeira, péssima alimentação e problemas com o representante local da banca do bicho, não necessariamente nessa ordem. O fato é o que o falecimento prematuro de seu pai obrigou Bolinha a ajudar sua mãe a sustentar e criar seus dois irmãos.
Um dia desses, ou melhor uma noite dessas, quando estava na reta final de sua cansativa jornada de trabalho, no bar do seu Mané Portuga, começaram os eventos que iriam mudar sua vida para sempre. Nesse momento é importante citar que como todo mundo, Bolinha tinha seu ponto fraco, que fazia perder a razão e o juízo. Seu pai por exemplo era fã da bebida e do jogo, já Bolinha não resistia a um rabo de saia, ainda mais se esse rabo de saia permitisse uma aproximação dele, afinal como os que se lembram do “Programa do Bolinha” devem imaginar, ele não era nenhum exemplo de beleza. Beleza essa que sobrava em Maria Clara, ou Clarinha como era conhecida. Clarinha havia nascido ali na vizinhança mesmo, e sempre fora a criança mais linda do pedaço. Acabou sendo descoberta por uma pequena agência e virou modelo de eventos e esporadicamente fazia algum anuncio de loja, shopping, entre outras coisas. As más línguas dizem que virou modelo e acompanhante, das caras acrescentavam. Raramente era vista por aqueles lados nos dias de hoje, mas essa noite apareceu sozinha e sentou no balcão do bar do seu Mané Portuga. Fez um sinal para Bolinha que por mais que tentasse não conseguia desgrudar os olhos de Clarinha ali vestindo uma blusinha tomara que caia e um jeans justíssimo.
- Pois não, dona? – Perguntou bolinha despertando do seu transe.
- Traz uma Original para mim? - Clarinha ofereceu seu melhor sorriso para Bolinha que quase caiu de costas.
- Xi, dona! Num tem essa não.
- Então traz uma Braminha mesmo.
Bolinha virou-se de costas apenas o suficiente para pegar a cerveja na geladeira, pegou um copo americano que certificou-se estar bem limpo e serviu a cerveja no copo para Clarinha, coisa que nunca fazia.
- Obrigada, Bolinha. – Uma cara de surpresa, espanto e por que não, felicidade tomou conta do rosto de bolinha o que divertiu Clarinha.
- De nada, dona Clarinha. – Respondeu encabulado desviando o olhar para os potes de ovo colorido em cima do balcão de formiga.
- Me chama de Clarinha, né Bolinha? – Clarinha sorriu e Bolinha pode perceber como eram lindos seus dentes braquinhos, retinhos e todos ali.
Até o fim do expediente ali no bar do seu Mané Portuga pareceu um sonho para Bolinha. Clarinha ficou ali conversando com ele até o bar fechar, parando apenas nos momentos em que Bolinha precisava atender algum freguês, que era secretamente amaldiçoado pelo balconista. A noite teve esse rítimo até o bar fechar, quando Bolinha acompanhou Clarinha até a porta da casa de sua mãe e ganhou um beijo no rosto de despedida. Bolinha estava nas nuvens. Mal podia acreditar no que havia acontecido.
Fim da parte 1
Adorei.. dá uma boa cena de novela rsrs…